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quarta-feira, 30 de junho de 2010

DIÁLOGO DE POETAS IV

Palavras cortadas
(Paulino Vergetti)

Eu não te ouço!
Minha voz é navalha afiada,
laranja passada, quase podre
e que rapidamente chega a ti.
A voz é viva e o olho vê.
Falo-te surdo e embriagado
como um triste palhaço que não sabe mais rir.

Tua mudez foi violentada,
pariu molduras indecifráveis
e um frio sem fim.

Se há em teu amor um ar de castigo,
fugiste de ti e te puseste em desabrigo,
para não mais me ter e nunca mais me ouvir...

O grito do silêncio
(Mel Diniz)

Você não me ouve
Ninguém mais me ouve
O amor que sinto calou-me em forma de castigo,
para o meu poeta nunca mais me ouvir.
Mas o castigo foi ainda maior,
Além do poeta ninguém mais me ouve.

Mesmo assim prefiro o castigo de não me poderem ouvir
Do que perder o amor que sinto por ti
Pois o sentimento pode se ouvir no silêncio
E nele enxergar o sentimento

Meu silêncio grita alto e pedi abrigo através do olhar
Nele trago o reflexo do que vem de dentro
E por dentro uma pergunta que não quer calar
Como posso tanto te amar correndo o risco de nunca te ter?
Este foi o momento em que minha mudez foi violentada e me senti desabrigada.
Mesmo assim não conseguistes decifrar a voz do coração,
classificando a como indecifrável.

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