(Mel Diniz)
Todos os dias quando acordo
Encontro com a luz da manhã a colorir o meu dia
A manhã é uma verdadeira artista
Tem habilidades ímpares para pintar, tecer e desenhar
A minha Manhã me tem sempre como protagonista e me entrega uma obra a cada dia.
Nem sempre vejo a obra colorida
Às vezes me entrega preto e branco ou apenas de uma cor
Mas a Manhã não tem culpa.
Tem dias, que antes dela chegar,
Escondo tintas, linhas, lápis, deixando a quase sem nada
Ela nem desconfia, e sempre com boa vontade me entrega uma linda obra ao fim do dia
Nem sempre reflito sobre a obra e às vezes passa despercebida
Passo dias a fio sem analisar nenhuma das obras, mas elas estão todas ali,
Guardadas na estante da memória, e quando menos espero aparece uma vaga lembrança.
O tempo passa a cada passo e de tão agitado não percebo ele passar,
E tão pouco por onde eu passo.
Não percebo a linha que estou a traçar e tão pouco o caminho que já percorri
Outro dia quando acordei, minha artista estava a pintar o meu espanto quando percebi, ao longo de um mês, a linda colcha de retalhos que ela havia tecido.
Na verdade havia finalizado um trabalho no meu trabalho e de tanto trabalho os passos passaram despercebidos.
Ao ver a colcha pronta ocorreram-me dois sentimentos: Vitória e remorso
Vitória por ter concluído o trabalho com louvou
E remorso por não ter vivido cada dia como um dia de vitória.
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